Abram alas para as bolachas do Noddy

De todas as coisas que me envergonham a vida (e ainda são algumas), a última é sem dúvida uma das mais ridículas! Seguindo a noddymania, essa praga que se infiltrou em todos os lares onde residem crianças, também o meu lar foi infectado. Fui assistindo, sem antibiótico ou vacina antiviral de qualquer tipo à invasão da minha casa do exército do Noddy, do Orelhas, Sr. Lei (que o Tomé jura ter visto a patrulhar as ruas de Gibraltar), do Mafarrico e do Sonso (estes dois ,na minha opinião foram inspirados em figuras portuguesas, um deles parece estar sempre com os copos). O boneco que causa mais polémica aqui em casa é sem dúvida o cachorro do Noddy, o Tomé chama-lhe Ferrugento (eu bem grito a dizer que isso é nome de vinho tinto, bem caro por sinal), eu insisto que o pobre animal tem direito ao nome dele, Turbo Lento (ou Turbolento , o que não é exactamente a mesma coisa), acho eu. Ainda concordo que possa ser um Turbo Lento Ferrugento (nome quase tão aristocrático como o da dinastia de Bragança).
O que interessa realmente aqui é que a seguir aos desenhos animados na televisão, vieram os bonecos, os livros, as cadeiras do quarto do miúdo e outras coisas que eu nem me lembro. Até ao dia em que chegou um pacote de bolachas, de formato rectangular, que olhei primeiramente com desdém, depois com desconfiança e por último (já depois de as provar) com traços de adicção. Sim, confesso!!! Viciei-me nas bolachas do Noddy! Não encontro adjectivos (bons) para as qualificar. São pequenas, jeitosinhas, e acima de tudo deliciosas com o seu sabor a mel. Nao há nada a fazer. São consumidas avidamente dia após dia sem qualquer contenção! Rendo-me! Abram alas para o Noddy, desde que o carro venha cheio de bolachas!
A ouvir: o novo disco da Jane Birkin (uma das minhas divas francesas) intitulado "Fictions".
