canhonapreta

domingo, outubro 09, 2005

O Preço Certo

Parecia ser um dia normal, uma viagem de carro normal, uma paragem para lanchar normal de uns tantos quilómetros percorridos mas o insólito não tem morada certa e desta vez estava a residir no Cercal em pleno Alentejo.
O Cercal não tem muito para ver. Terra essencialmente de passagem, o seu largo com uns tantos cafés, restaurantes e afins, dão vida a uma daquelas localidades tão típicas de Portugal onde nada parece acontecer.
Parei e como de costume entrei no sítio de costume, o café que mais fama do local. Umas meias de leite boas (embora longe dos tempos em que eram servidas em loiça típica alentejana), uns croissants porreiros (embora quase sempre esgotados pelos famintos turistas amantes do belo do pequeno almoço na esplanada) e toda uma panóplia de boa doçaria regional, doces e geleias enfim.
Não foi a primeira vez que me aconteceu algo de memorável neste café. Lembro-me de há uns anos ter pedido uma torrada e de alguém se ter esquecido dela na torrada e só se terem lembrado quando a pobre da torradeira começou a arder.
Desta feita, o protagonista desta cena engraçada foi o Grupo de Amigos do Cercal (sejam lá eles quem forem) que querendo recolher fundos monetários certamente para fins meritórios, se lembraram de uma iniciativa sem precedentes. E essa iniciativa foi: vender HÍMENS!
Hímens a 2 euros para ajudar o Grupo de Amigos do Cercal!E por baixo um frasco cheio deles...azuís e brancos, para colocar num qualquer frigorífico perto de si. Ia morrendo a rir. Quantas pessoas já teriam lido aquilo?
A um preço desses só me apeteceu pedir a alguém que me enchesse um saco cheio! Na época em que vivemos em que todas as coisas boas sobem de preço, continua a haver esperança graças ao Grupo de Amigos do Cercal e do seu preço certo e justo!
O correcto teria sido avisar alguém, corrigir para ímans para não consegui! O ser caústico que há em mim triunfou!

terça-feira, outubro 04, 2005

Boleias

Há um certo encanto na ideia de andar à boleia. Este encanto é tanto maior quanto a incerteza de para onde vamos. Quando era mais novo gostava de andar à boleia embora sempre soubesse para onde ia.
Numa coisa não tenho dúvida. Das coisas estranhas que podem acontecer quando um tipo anda à boleia, a mais esquisita que me aconteceu foi não durante uma boleia mas enquanto tentava arranjar uma.
Numa tarde de verão, estava eu à beira da estrada (frase estranha esta) a tentar arranjar uma passagem para uma tarde de banhos na Foz do Arelho quando um carro passou e tentou alvejar-me e a uns amigos que estavam comigo com a casca de uma talhada de melão. Não tendo acertado em cheio, tenho a sensação que ainda levei com um bocado de sumo :-)
Lembro-me que fomos para a praia com o raio da Ford Transit memorizada com promessas de mataesfolaarranca de quem lá fosse dentro. Ah e a carrinha, esse veículo branco que ficaria em pedaços se a apanhassemos. Triste ilusão de adolescentes agredidos, nunca a chegámos a ver.
Juro que ainda hoje às vezes me lembro dessa situação de noite. E acabo a desviar-me sempre!