canhonapreta

quarta-feira, agosto 10, 2005

Diários Britânicos (Dia 2)- Abingdon e Oxford (A Inglaterra estudantil)

Começo a manhã em Abingdon-on-Thames com um rápido reconhecimento a pé. O passeio leva-me ao bosque passando pelo Parque Alberto. A chuva miudinha que insiste em cair irrita-me, é tão british e só parece molhar portugueses. Queria ter um chapéu de chuva e no entanto toda a gente passa por mim como se não fosse nada. Passo pela escola secundária local e não posso deixar de sentir um bocado de inveja. Ia jurar que o relvado frontal da escola tinha mais verde do que todas as escolas onde já leccionei juntas. Como é que é possível? Não vejo gradeamentos, apenas um muro simpático que não terá mais de um metro de altura. Sigo para o bosque.
A serpentear junto deste bosque seguem alguns canais, uns têm barcos pequenos, atracados em ancoradouros privados nos jardins das vivendas. Outros não tamanho para navegação e são dominados pelos patos. Vejo um esquilo que se atravessa à minha frente em aceleração de subida a uma nogueira. Não gostou que lhe invadissem o território! Parece que estou no campo profundo, passo um portão e dou por mim outra vez no meio da vila. Impressionante!
A tarde é dedicada a Oxford. Para variar tive de voltar umas três vezes ao carro para ir bucar coisas que deixei lá e mais grave duas para procurar o ticket de estacionamento que não encontrava de maneira nenhuma (ainda me recordo a suar de quanto era a penalização em libras caso não achasse o ticket). Acabei por achar o maldito papel enfiado no guia que andava a correr para aqui e para ali juntamente. Depois de me amaldiçoar algumas dezenas de vezes lá tentei começar a ver qualquer coisa.
O primeiro a safar-se em Oxford foi o Tomé que numa loja da Disney se tornou proprietário de um Stich (por acaso engraçado). Seguindo pelas ruas, os encantos de Oxford começam a revelar-se, os edifícios são bonitos e bem cuidados, as ruas pejadas de gente de todas as cores e feitios (literalmente) respiram aquela atmosfera que só se pode sentir em cidades eminentemente estudantis apesar de obviamente a grande maioria das pessoas que circulavam não serem estudantes. Em Agosto só estuda quem quer e em Oxford parece haver muita gente a querer frequentar cursos de verão (sobretudo americanos e japoneses pareceu-me a mim). Quanto a mim já posso dizer que andei em Oxford e o Tomé lá ganhou um polo da Universidade de Oxford (Pai 0 - Filho 2).
Encanto-me na Carfax Tower, engraçado o facto de ali segundo parece confluirem as quatro estradas que vinham dar a Oxford. Continuo em direcção à Universidade ou melhor aos colégios que compõem a Universidade de Oxford, já que são vários espalhados pela cidade. A Bodleian Library (que se encontrava em obras) merece atenção.
Lentamente vou-me habituando às lojas que no início pareciam novidade por não existirem em Portugal mas tornam-se habituais porque vou verificar ao longo da minha estada que cada cidade tem a maior parte das lojas iguais: Starbucks, Costa Cafés, HMV, Next entre outras.
A minha primeira visita a Oxford acaba um pouco mais cedo pelo previsto por causa da irritante chuva britânica. É na Inglaterra que se dá valor ao céu azul português, perante o triste cinzento que domina os céus britânicos.
Regresso a casa num daqueles autocarros vermelhos very british. Com um pouco de tristeza leio o anúncio da empresa transportadora nas janelas do autocarro a pedir inscrições para motorista. Ordenado: 18 mil libras mais prémios de produtividade e horas extras. A tristeza deve ao pecado da comparação, cada libra vale aproximadamente 1,5 euros. Dois países, dois mundos diferentes.
Adormeço cansado! Adoro o cansaço provocado pelas viagens, pela aventura. Venha o dia de amanhã!!!

terça-feira, agosto 09, 2005

Adeus Ibrahim!

Fico sempre triste quando morre alguém de quem gosto no mundo das artes. Um destes dias foi a vez de um dos artistas cubanos que eu mais admirava (e ouvia). Ibrahim Ferrer morreu na sua amada (e tantas vezes cantada) Havana aos 78 anos. Conheceu o sucesso já septuagenário, uma voz maravilhosa, suportada pela infinita riqueza da música cubana. Neste mundo dominado pela música formatada era sempre uma lufada de ar fresco um final de tarde, princípio de noite ao som de um disco deste cubano de voz doce e melodiosa, de sorriso simpático.
Morreu em Havana, depois de um mês de digressão europeia, concertos sempre esgotados, feliz por certo, por morrer na sua adorada cidade.
O mundo já não tem Compay Segundo, Ruben Gonzalez, agora chegou a vez de Ibrahim! Imortais, ficam os seus discos para serem ouvidos intensamentecomo pérolas que são.

A ouvir (ou a descobrir):

Buenos Hermanos
Buena Vista Social Club presents: Ibrahim Ferrer
Ay, Candela
Tiempos con Chepin y su Orquesta

Hasta Siempre!

domingo, agosto 07, 2005

Diários Britânicos (Dia 1)- A chegada a terras de Sua Majestade!

Ao longo da minha última expedição foi escrevinhando algumas notas que já em terras lusas passo para o canhonapreta. Aqui ficam algumas ideias...
"A expectativa nesta viagem é grande. Tenho intenção de conseguir ver uma série de coisas que são importantes para mim. É a primeira viagem de avião do meu filho, será que se vai portar (pelo menos miminamente) bem? O avião parte a horas, o que não é nada mau já recordando o passado, em pelo menos 50% das vezes os aviões em que viajei não partiram a horas. Este consegue a proeza de duas horas depois ter chegado a Heathrow adiantado. Cortesia britânica da British Airways!
O aeroporto é grande, vários terminais, li algures que era o mais movimentado do mundo, o voo de Lisboa chega depois de um proveniente de São Francisco antes de um com origem em Dusseldorf. Nos ecrans, voos de todo o mundo têm horas de partida e chegada marcada. Despacho rapidamente as formalidades (é bom ser cidadão europeu em território europeu). Fascina-me as pessoas que esperam passageiros com cartazes na mão na zona de chegadas, alguns são impronunciáveis. O que estarão a pensar aquelas pessoas que estão ali? Olho para uma série de taxis e desvaneço qualquer dúvida. Estou em Inglaterra!

Ala para Windsor, que se faz tarde. Há um palácio para visitar. Consigo perceber porque razão a realeza britânica vive bem. Doze libras e meia de entrada. Assopro, triste com a triste realidade dos ordenados portugueses. Vou ter muitas ocasiões para assoprar! Grande e vistoso, guarda uma série de pinturas dignas de serem vistas, e claro uns desenhos de Leonardo da Vinci, soberbos como sempre. Vejo também os meus primeiros guardas reais vestidos a rigor. Faz-me confusão aquele capacete. Queria ver se com as temperaturas de Portugal, aquele uniforme teria resistido muito tempo. De qualquer modo, os guardas que vi nem os olhos tinham à mostra. E andavam...

As ruas de Windsor parecem-me simpáticas, vê-se gente com origem em todo o mundo, nada de incomum como hei-de comprovar mais tarde. Parece ser uma zona in , Ascot, célebre pelas corridas de cavalos fica perto. Circulo por uma antiga estação de comboio que embora em funcionamento, uma espécie de centro comercial, que não ofende, não agride a paisagem, está perfeitamente enquadrado. As lojas têm todas bom aspecto, bem decoradas. Vejo o primeiro supermercado hi-tec de comida pre-feita, fico deslumbrado, está dividido por secções com nomes tão apelativos que apetece comer tudo sem pensar se será mesmo saudável. Saio novamente para a rua, a construção das casas parece-me curiosa, tão diferente das nossas. Sabe bem estar longe de tanto betão! Continuo o passeio, começa a fazer-se tarde. Sigo para Abingdon-on-Thames!