Diários Britânicos (Dia 2)- Abingdon e Oxford (A Inglaterra estudantil)
Começo a manhã em Abingdon-on-Thames com um rápido reconhecimento a pé. O passeio leva-me ao bosque passando pelo Parque Alberto. A chuva miudinha que insiste em cair irrita-me, é tão british e só parece molhar portugueses. Queria ter um chapéu de chuva e no entanto toda a gente passa por mim como se não fosse nada. Passo pela escola secundária local e não posso deixar de sentir um bocado de inveja. Ia jurar que o relvado frontal da escola tinha mais verde do que todas as escolas onde já leccionei juntas. Como é que é possível? Não vejo gradeamentos, apenas um muro simpático que não terá mais de um metro de altura. Sigo para o bosque.
A serpentear junto deste bosque seguem alguns canais, uns têm barcos pequenos, atracados em ancoradouros privados nos jardins das vivendas. Outros não tamanho para navegação e são dominados pelos patos. Vejo um esquilo que se atravessa à minha frente em aceleração de subida a uma nogueira. Não gostou que lhe invadissem o território! Parece que estou no campo profundo, passo um portão e dou por mim outra vez no meio da vila. Impressionante!
A tarde é dedicada a Oxford. Para variar tive de voltar umas três vezes ao carro para ir bucar coisas que deixei lá e mais grave duas para procurar o ticket de estacionamento que não encontrava de maneira nenhuma (ainda me recordo a suar de quanto era a penalização em libras caso não achasse o ticket). Acabei por achar o maldito papel enfiado no guia que andava a correr para aqui e para ali juntamente. Depois de me amaldiçoar algumas dezenas de vezes lá tentei começar a ver qualquer coisa.
O primeiro a safar-se em Oxford foi o Tomé que numa loja da Disney se tornou proprietário de um Stich (por acaso engraçado). Seguindo pelas ruas, os encantos de Oxford começam a revelar-se, os edifícios são bonitos e bem cuidados, as ruas pejadas de gente de todas as cores e feitios (literalmente) respiram aquela atmosfera que só se pode sentir em cidades eminentemente estudantis apesar de obviamente a grande maioria das pessoas que circulavam não serem estudantes. Em Agosto só estuda quem quer e em Oxford parece haver muita gente a querer frequentar cursos de verão (sobretudo americanos e japoneses pareceu-me a mim). Quanto a mim já posso dizer que andei em Oxford e o Tomé lá ganhou um polo da Universidade de Oxford (Pai 0 - Filho 2).
Encanto-me na Carfax Tower, engraçado o facto de ali segundo parece confluirem as quatro estradas que vinham dar a Oxford. Continuo em direcção à Universidade ou melhor aos colégios que compõem a Universidade de Oxford, já que são vários espalhados pela cidade. A Bodleian Library (que se encontrava em obras) merece atenção.
Lentamente vou-me habituando às lojas que no início pareciam novidade por não existirem em Portugal mas tornam-se habituais porque vou verificar ao longo da minha estada que cada cidade tem a maior parte das lojas iguais: Starbucks, Costa Cafés, HMV, Next entre outras.
A minha primeira visita a Oxford acaba um pouco mais cedo pelo previsto por causa da irritante chuva britânica. É na Inglaterra que se dá valor ao céu azul português, perante o triste cinzento que domina os céus britânicos.
Regresso a casa num daqueles autocarros vermelhos very british. Com um pouco de tristeza leio o anúncio da empresa transportadora nas janelas do autocarro a pedir inscrições para motorista. Ordenado: 18 mil libras mais prémios de produtividade e horas extras. A tristeza deve ao pecado da comparação, cada libra vale aproximadamente 1,5 euros. Dois países, dois mundos diferentes.
Adormeço cansado! Adoro o cansaço provocado pelas viagens, pela aventura. Venha o dia de amanhã!!!
