canhonapreta

domingo, junho 26, 2005

Uma lição de História

Não são raras as vezes em que leio coisas que me despertam uma atenção especial. A última (há coisa de minutos) teve a ver com Genghis Khan. Sempre gostei do nome deste homem, ao ponto de já ter equacionado por diversas vezes, baptizar um qualquer animal de estimação com o nome. Esbarro sempre no facto de não ter animais de estimação (problema grande para o facto em questão). Tentando seguir outra via, sobram os animais de familiares directos, que em quase 100 % dos casos, não compreendem esta mania! Ainda assim, gosto do nome Genghis Khan (possível nome de cão grande).
Voltando ao que li, o artigo (ver Sábado nº 59 quem quiser aprofundar) referia que a política levada a cabo por este mongol foi adaptada por uma série de "gurus da gestão moderna" (seja lá isso que for) que com ligeiras adaptações apresentam as cinco principais lições deste guerreiro que era conhecido por levar tudo à frente e também por não deixar a erva crescer por onde passava:

1º. Pensar antes do tempo (a minha preferida)
2º. Reconhecer o mérito
3º. Partilhar os ganhos
4º. Odiar a política de escritório (talvez por isso ele andasse sempre ao ar livre, digo eu!)
5º. Ter coragem para a mudança


Não deixa de ser uma perspectiva engraçada!

quinta-feira, junho 23, 2005

A arte de bem conduzir em contramão

Tem razão quem diz que pouco basta a cada dia para que cada dia se baste a si mesmo. Milhares de quilómetros feitos em direcção a Pedrógão Grande (e no sentido contrário obviamente) e o raio do trajecto ainda consegue apresentar surpresas. A última passou-se hoje. Seguia eu, ainda em estado semi-catatónico (cortesia da nossa gentil ministra da educação que me fez levantar antes de todos os galinácios das Caldas da Rainha durante toda a semana), já mais animado por ter reparado que o meu mui estimado colega L. Gonçalves seguia a mesma trilha rodoviária que eu. Perto de ... (raios me partam que me esqueci do nome :-( ... pausa desesperante de 5 m a tentar lembrar-me do nome do vilarejo... crash cerebral...Aguda? Avenal? ...lembrei-me Avelar um carro seguia calmamente à nossa frente, eis que o indivíduo faz pisca e passa para a faixa da esquerda (com toda a educação possível diga-se de passagem, não fosse o facto de existirem separadores na estrada), eu ia pensando aonde é que iria aquela alminha (em risco de passar a penada), e o tipo calmamente quando lhe aparece um taxi (um clássico Mercedes 190 D, quase que aposto, embora não tenha reparado em pormenores da cara, conduzido por um fulano de bigode farfalhudo quiçá com as faces ligeiramente rosadas) que literalmente estancou, pasmo, com o índicio claro de que a sua vida estava prestes a andar para trás. O nosso herói do asfalto não desmoreceu, vai de acender os quatro piscas, iluminação total em on, e passa com uma suavidade quase etérea pelo desgraçado do taxista que naquele momento já estaria a pensar se não seria melhor encomendar a alma a uma qualquer identidade superior. Calmamente na faixa do lado, seguiam os nossos dois carros, qual carros de reportagem da National Geographic (anos 80, lembrar obrigatoriamente o genérico da série com o mítico Land Rover Defender) a assistir àquela cena toda. Acabada a proeza, o senhor achou que estava na hora de regressar à rotina do dia-a-dia (com razão, afinal tinha sobrevivido) e voltou como não se tivesse passado nada à estrada (onde a bem dizer nunca devia de ter saído).
Ultrapassámos o cavaleiro do asfalto e seguimos a rota traçada.
Nota final. Perdemos umas dezenas de calorias a rir no parque de estacionamento da escola ao som do delicioso Chichi Peralta com o seu "Procura", uma gentileza Putumayo presents República Dominicana.
E então Luís, achas que descrevi este episódio com um certo touch road movie?

quarta-feira, junho 22, 2005

Eis a lista...

Com a entrada do "Lost in Translation" para o meu top 10 cinematográfico, resolvi enumerar aqui os meus dez filmes preferidos. Nada aqui é imutável excepto um: "Alta Fidelidade"! Deste modo só o número um corresponde efectivamente a um primeiro lugar. O resto da lista ocupa lugares aleatórios.

1. "Alta Fidelidade" de Stephen Frears

Por ser tão parecido comigo, pela obsessão ora doce, ora doentia pela música, pela banda sonora com o grande Marvin Gaye à cabeça. Um filme a que volto recorrentemente para me inspirar, para me lembrar que quase tudo tem conserto, que o passado anda sempre atrás de nós, pelo saudosismo, sobretudo pelo saudosismo. O John Cusack podia ser o meu alter ego...

2. "Paciente Inglês" de Anthony Minghella

Pelo deserto, sempre pelo deserto! Pelos ocres, pelos azuis do ceú, pelas velas acesas na noite , pelos frescos italianos e finalmente pela música (divinal a voz da Marta Sebastien dos hungáros Muzikas.

3. "Assassinos Natos" de Oliver Stone

Por me dar a certeza que qualquer comum mortal se pode passar num momento difícil, pelo tom alucinogénico e colorido, pela viagem ácida estonteante, pelo clima de rebelião eminente! Para mim, o melhor Oliver Stone!

4. "Residência Espanhola" de Cédric Klapisch

Por me recordar algumas coisas que não tive coragem de fazer enquanto estudante (adorava ter estudado no estrangeiro), por lembrar outras que felizmente gozei como professor em Portugal. Um hino à amizade!

5. "Apocalypse Now" de Francis Ford Coppola

Pela alucinação que percorre o filme, pelo ambiente desolador, pelo Marlon Brandon como Coronel Kurtsz, por um grupo de perdidos a caminho de um sítio sem saída. Cada vez mais a escola se parece com este filme.

6. "Grandes Esperanças" de Alfonso Cuarón

Pela esperança que nunca morre, pela lições que o filme passa, pela perseguição de um ideal tipo Petrarca, pelo desespero latente, à flôr da pele. Pelos anos de espera (será isto válido ou valium). Valerá a pena uma boneca de porcelana?

7. "Ligações Perigosas" de Stephen Frears

Pelo ambiente de sedução, engano e desengano, pelo todos contra todos. Não é o amor que pode tudo, é a persuasão através da palavra. A prova de que a palavra continua a ser a arma mais forte que existe. A atracção é fatal!

8. "Fight Club - Clube de Combate" de David Fincher

Pelo murro no estômago. Pela dose de ultraviolência (contudo não gratuita). Um filme negro dark noir !Será a nossa vida real? Somos aquilo que queremos? Seremos alguma vez aquilo desejamos ser? Pelos universos paralelos, pelas nódoas negras e sobretudo pelo sabão! Obrigatório para quem queira sobreviver ao século em que vivemos!

9. "Lost in Translation" de Sofia Coppola

Pelos neons de Tóquio, pela insónia que anestesia os protagonistas, pelos olhares melosos, pela sensação de proximidade, pela diva Scarlett (umas das grandes actrizes deste início de século XXI), a música dolente que nos embala, pela lição de que se calhar há decisões na vida que temos que tomar, pela sensação de quase... ,um autêntico "What if" que me é tão caro!


10. "Antes de Amanhecer" de Richard Linklater

Por o ter visto numa altura em que não pensava, em que a vida corria docemente, em que não tinha preocupações. Pelos viajantes, pelos diálogos (do melhor que já vi em cinema), porque prova que tudo o que é bom dura o tempo suficiente para se tornar excepcional, pela química, pela física que acaba por vencer a química. Pelo impressionante clima de aproximação entre duas pessoas de mundos diferentes, pela sensação de ser impossível , pelo comboio que parte no final, pela câmera a afastar-se enquanto o comboio desaparece. Ficou um dia...

E pronto, já está! Um bocadinho de mim está espalhado por cada um desses filmes!

terça-feira, junho 21, 2005

Secundária de Tóquio QZP algures no Japão

Foi grande o contentamento ao terminar o visionamento do grande filme (que eu já supunha ser) que é "Lost in Translation" de Sofia Coppolla. Entrou para o meu top 10 de filmes favoritos. Uma grande história, cruzando uma atracção evidente entre protagonistas que não tendo, se calhar, nada a ver um com o outro se uniram nas pequenas coisas, no estarem perdidos, num sítio que lhes é estranho, com uma velocidade própria que eles não conseguem (e talvez não queiram)acompanhar. A insónia dos protagonistas dança a valsa dos desalinhados ao som de uma banda sonora dolente (que vai desde uma versão karaoke de "More than this" dos sempre veludo Roxy Music até uma canção lindissima dos My Bloody Valentine acabando com um brilhante "Just like honey" dos The Jesus and Mary Chain). Será o amor um lugar estranho como diz o título? Tenho a certeza que o segredo que o personagem de Bob Harris murmura à diva Scarlett responde a isto...

Perante o filme, a minha mente fértil começou a trabalhar quando deveria de estar a preparar-se para dormir. Não serão os professores que saltitam de escola em escola, uns lost numa colocação qualquer, vítimas de um qualquer jet lag educacional ( engraçado como os meus colegas acham sempre piada a este conceito) perdidos num mar revolto de amizade que começam, crescem e que quando estão em ponto de caramelo são abruptamente ceifadas pela raiz (que seria de nós sem o messenger para comunicar). O poeta dizia que a casa dele era onde estava. Eu replico, dizendo que já não sei onde estou, quanto mais onde é a minha casa!

Começo a pensar onde irei parar para o ano que vem e dá-me pena de deixar mais uma vez, os excelentes amigos que arranjei este ano ( vénia aos meus colegas de Pedrógão Grande)! Sentado na esplanada em frente à escola, a conversar, tive hoje a primeira sensação de saudade!

Será que vou ser colocado na Escola Secundária de Tóquio? Quem quiser a resposta veja o filme...

domingo, junho 19, 2005

O sítio certo

Hoje o céu amanheceu nublado e sem muito para fazer dirigi-me para a Foz do Arelho, para a praia propriamente dita. No caminho passei por dezenas de pessoas que fziam exercício matinal na via pedonal que liga as Caldas da Rainha à Foz do Arelho. Uns sozinhos, outros aos pares, alguns à molhada, lá iam e eu não posso deixar de os invejar, pessoas que se levantam cedo para usufruir de um pouco de contacto com a natureza. Nunca consegui convencer-me a dedicar-me a 100 % ao desporto e por isso hoje dirigi-me para a praia com um certo espírito de vencedor.
Ainda havia nevoeiro na praia, ao ponto de tornar invísivel as Berlengas (daquelas coisas que gosto tanto de ver em dias de sol como de imaginar que lá estão em dias de neblina), resolvi caminhar em direcção à Aberta (nome corriqueiro dado ao ponto em que a praia acaba e deixa entrar a água salgada em direcção à Lagoa), contente por me ter lembrado de carregar o Ipod com uma selecção de clássicos musicais (finais de sessenta até ao electro por xunga dos eighties, sim, coisas tipo Erasure, Sandra, Falco outras que tais).
Uma das coisas que me fascina mais na música, é descobrir o sítio certo em que cada uma encaixa na minha vida. Às vezes é fácil, uma canção lembra-nos um dado acontecimento, local ou pessoa e nesse caso, está resolvido o problema. A canção X pertence ali e ponto final. O enigma está concluído. A dificuldade surge quando temos um a canção que gostamos e não assenta em nada da nossa vida. Mais grave, se essa canção for uma das nossas preferidas.
Serge Gainsbourg canta "Je t'aime, moi non plus", duas divas fizeram a parte vocal feminina. A primeira, Brigitte Bardot acabou por ser deixada para trás por se considerar que os seus gemidos na canção eram demasiado...reais. A versão com a Jane Birkin foi a que vingou. Mas eu, prefiro a versão com a antiga bomba sexual, actual protectora dos animais, a Sô Dona Bardot. E hoje, sentado, enquanto olhava para o mar e para dois ou três pescadores que tinham passado ali a noite à espera de coisa nenhuma, descobri o lugar da canção amargurada do Gainsbourg que muitos juram ser a sua canção de amor preferida (embora o tema verse precisamente o contrário). O lugar desta canção, para mim, passa a ser uma praia semi-vazia (já lá vai o tempo das praias desertas) dominada pela bruma. Pode ser a praia da Foz do Arelho ou uma outra qualquer dominada pela solidão. A praia pode ser o sítio mais solitário do mundo. E a música faz um jeito nesses lugares.

A ver de seguida: "Lost in translation" Nunca vi este filme de propósito até o comprar em dvd por ter a firme convicção que vai entrar para o Top10 dos filmes da minha vida!

quarta-feira, junho 15, 2005

O desvio do abismo

Friedrich Nietzsche sempre foi um dos meus filósofos preferidos, não tanto pela filosofia em si, mas por me parecer que tinha sido um homem amargurado e sofrido ao longo da vida.
Uma das frases que gosto mais tem origem neste alemão diz o seguinte:

"Quando olhas para o abismo, o abismo também olha para ti!"

Hoje lembrei-me de referir esta frase numa turma de 8º ano e recebi uma frase/pensamento em troca que faria qualquer filósofo corar de inveja. Aqui fica a citação deste meu aluno:

"Se eu fosse a cair no abismo e ele se desviasse, será que eu caía no chão!?"

E eu? Quase que caí ao chão!

domingo, junho 12, 2005

A mula e a noiva

Não há estórias como as algarvias. Aqui fica a última que ouvi.

Há muito tempo era costume as noivas irem de mula para a igreja onde casavam. Numa dada localidade algarvia, aconteceu o seguinte: a noiva ao chegar à igreja não cabia na porta porque estava em cima da mula. No adro da igreja logo apareceram as mais diversas teorias para solucionar o problema. "Se calhar é melhor cortar a cabeça à noiva para caber na porta!" disse um. Outro replicou: "Não sejas parvo, o melhor é serrar as pernas à mula!". Ninguém chegou a ouvir o idiota que lá do fundo murmurou: "E se ela dobrasse um poucochinho a cabeça?"

quarta-feira, junho 08, 2005

Em pleno Junho nevou na minha cozinha!

Que a uma distração podia ser a morte do artista, eu já sabia. Agora que podia chegar ao ponto de em segundos eu dar com a minha cozinha envolta numa névoa de farinha (claro que para agravar era da mais fina e por isso mais difícil de varrer) enquanto o meu filho saltitava alegremente a cantar algo era algo que fugia à minha galopante imaginação. Lá fora, a temperatura continuava nos trinta e muitos graus e o chão da minha cozinha estava branco.
Saindo naturalmente ao pai em alguma coisa, o meu filho é um desastre, uma coisa que cai, outra que escorregou, enfim. Numa coisa é original, nunca repete o mesmo erro duas vezes...invete é sempre erros novos. Num mundo de fotocópias...orgulho-me dessa originalidade dele!

A aclamação do Cromo Bom

A época de testes fornece-nos pérolas deste calibre:

Questão: Quem foi aclamado rei de Portugal depois de finda a dinastia filipina?
Resposta: Oliver Cromwell.

Vocês não sei mas quanto a mim, rendo-me!
Quem me dera ser como o meu amigo Borges, que tem alunos do 5º ano que lhe entregam trabalhos em alemão.

Banda Sonora: "As Quatro Estações" de Vivaldi (lá fora definitivamente a parte que está a tocar é a do Verão).

P.S. Esta banda sonora é dedicada ao Borges!